| Tal como indica
a sua designação, este núcleo museológico
foi constituído para a preservação e
a valorização dos fornos
de cerâmica romanos (séculos II-V d.C.),
que são um sítio arqueológico
classificado como Monumento Nacional desde 1992.
O Núcleo da Olaria Romana da Quinta
do Rouxinol do EMS, na perspectiva da musealização
das estruturas, em resultado da intervenção
arqueológica, valorizando-as em ligação
com a envolvente, deverá ter como principais objectivos
específicos:
- a preservação das estruturas e da envolvente,
garantindo condições de fruição
pública em consonância com o seu valor patrimonial
e estatuto legal (Monumento Nacional) e o seu elevado potencial
científico, cultural e educativo;
- a interpretação, exposição
e difusão do acervo proveniente deste sítio
arqueológico, por forma a valorizar, nos contextos
nacional e internacional, a importante colecção
de cerâmica romana, com destaque para a cerâmica
de armazenamento e transporte;
- a promoção e o desenvolvimento de iniciativas
na área da Arqueologia, nomeadamente aprofundando
acções e projectos em parceria com instituições
e investigadores ligados ao sítio arqueológico
ao longo do processo de investigação, estudo
e comunicação do mesmo e do espólio
nele exumado.
A Quinta do Rouxinol é uma antiga propriedade
agrícola completamente urbanizada em inícios
da década de 1980, datando dos anos 1960 os primeiros
achados de espólio romano neste local. Os serviços
do Ecomuseu Municipal do Seixal realizaram prospecções
de superfície nos anos de 1982-1983 e recolheram mais
alguns indícios de eventual funcionamento de uma olaria.
Em 1986 o acompanhamento de obras de saneamento básico
levou à descoberta dos vestígios de um primeiro
forno, justificando a deliberação da Câmara
Municipal do Seixal de conservar a estrutura in
situ. A partir daí, foi possível programar
as campanhas de escavação que vieram a desenvolver-se
até 1991.
| Detectaram-se
dois fornos (e vestígios de um eventual terceiro)
de produção de loiça doméstica
e de ânforas destinadas ao transporte de preparados
de peixe e de vinho. Muito próximo, duas fossas
abertas na areia de base atestavam a rejeição
de diverso material durante o processo de fabrico, encontrando-se
repletas de espólio cerâmico (muitas vezes
com formas completas ou quase), junto a madeira que não
terá chegado a ser utilizada como fonte de alimentação
da cozedura. |

Forno
|
No seu conjunto, este espólio
constitui uma das mais importantes colecções
de cerâmica romana do nosso país, ilustrando
profusamente o papel que esta olaria terá desempenhado,
no abastecimento local, a Olisipo (Lisboa) e aos vários
centros conserveiros da região, entre os finais do
século II e as primeiras décadas do século
V.
Todo o espólio exumado neste local deu entrada nas
colecções do Ecomuseu e algumas das peças
mais significativas foram já expostas em iniciativas
diversas da instituição. O sítio deu
origem também a abundante bibliografia, toda ela disponível
no Centro
de Documentação e Informação do
Ecomuseu (parte desses textos estão também
acessíveis nas Edições
On line deste site).
Depois de vários anos de abertura ao público,
o sítio está de momento inacessível por
razões de conservação, desenvolvendo-se
um Programa de Valorização e Tratamento Museológico
que materializa uma parceria inicialmente estabelecida entre
a Câmara Municipal do Seixal, através do Ecomuseu,
e a extinta Direcção-Geral dos Edifícios
e Monumentos Nacionais (DGEMN), agora enquadrada no Instituto
de Gestão do Património Arquitectónico
e Arqueológico (IGESPAR). |