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Este núcleo museológico é constituído, como o nome indica, pelo Moinho de Maré de Corroios, inserido na envolvente do sapal de Corroios, tendo por objectivo a sua conservação in situ e em funcionamento e a valorização integrada do conjunto patrimonial – cultural e natural.

O Moinho de Maré de Corroios foi construído no fundo do esteiro do Tejo com o mesmo nome. A caldeira – cuja dimensão já atingiu 1 857 metros de perímetro e 49 318 m2 de área – está separada da zona húmida de sapal pelo próprio edifício do moinho, pela comporta e pelos diques construídos em vasas e parcialmente forrados de alvenaria.

A área envolvente do moinho de maré de Corroios, que constitui a maior mancha de sapal existente no concelho do Seixal, integra a Reserva Ecológica Nacional (REN), criada com base no Decreto-Lei nº 93/90, de 19 de Março, com o objectivo de proteger os ecossistemas e a estrutura biofísica do território e de salvaguardar a sua importância económica, social e cultural, e cuja aplicação ao concelho do Seixal foi aprovada em 23 de Setembro de 1992 pelo respectivo Plano Director Municipal.

À semelhança dos outros moinhos de maré do concelho do Seixal, o de Corroios é, desde 1984 (Decreto-Lei nº 29/84, de 25 de Junho) um Edifício Classificado de Interesse Público. Entre o século XV e o século XVIII foram implantados e encontram-se documentados doze moinhos de Maré no território do concelho do Seixal. Hoje subsistem dez desses moinhos e o de Corroios é o único preservado e tornado acessível ao público em funcionamento, no Estuário do Tejo.

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Moinho de Maré no Sapal de Corroios Moinho de Maré de Corroios Moinho de Maré de Corroios

Tornado propriedade municipal em 1981, o imóvel foi objecto de obras de conservação e de adaptação às funções museológicas, abrindo ao público em Novembro de 1986, mantendo o funcionamento do sistema de moagem, graças ao trabalho do antigo moleiro e à activação da transmissão de técnicas e saberes moageiros.

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Sala de Moagem do
Moinho de Maré de Corroios
Sala de Moagem do
Moinho de Maré de Corroios
Moagem no Moinho de
Maré de Corroios

Entre 2000 e 2008, o Moinho de Maré de Corroios foi sujeito a obras de conservação e requalificação, tendso beneficiado do apoio do Programa Operacional da Cultura.

O trabalho do moleiro, observável em contexto museológico, é essencial à preservação do conjunto e reparte-se por várias tarefas. As principais são: instalar os rodízios, picar as mós, instalar as mós, limpar o cereal, deitar o cereal nos tegões, levantar os pejadouros, regular as mós à moenda e limpar e ensacar a farinha.

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Trabalho do Moleiro -
instalar os rodízios
Trabalho do Moleiro -
picar as mós
Trabalho do Moleiro -
instalar as mós

Primeiro moinho de maré a ser construído, em 1403, no território do actual concelho, o Moinho de Maré de Corroios foi edificado por iniciativa de D. Nuno Álvares Pereira, que o dotou inicialmente de três moendas. Foi ampliado em época posterior até às oito moendas. Doado ao Convento do Carmo em 1403, permaneceu sua propriedade até 1834, data em que, devido à extinção das ordens religiosas em Portugal, foi incorporado, como aconteceu com todos os bens daquelas, na Fazenda Nacional. Em 1836 foi arrematado por João Luis Lourenço. No início do século XX, para além da moagem de cereais, efectuou-se neste, e noutros moinhos de maré, o descasque de arroz.
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Representação do
Condestável D. Nuno Álvares Pereira

Princípios de Funcionamento

  • A maré sobe e enche a caldeira.
  • Na baixa-mar, a caldeira permanece cheia mas os rodízios ficam a descoberto.
  • Abrindo os pejadouros, a água circula através das setias e coloca os rodízios em funcionamento.
  • Um sistema de engrenagens transmite o movimento às mós.
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Corte do Moinho de Maré de Corroios

O programa de qualificação e de desenvolvimento do Núcleo do Moinho de Maré de Corroios, assim como o projecto de investigação que o sustenta e que se encontra actualmente em curso, servindo de suporte à preparação da exposição evocativa dos 600 anos de actividade deste moinho, incide não só no edifício em si, mas também na sua envolvente e obedece aos seguintes objectivos gerais:

  • Contribuir para a valorização e divulgação junto dos diferentes públicos do património construído e natural do concelho do Seixal;
  • Garantir a conservação em funcionamento do moinho;
  • Contextualizar historicamente o edifício e a actividade que o mesmo representa, quer no contexto nacional, quer no contexto internacional;
  • Realçar a sua integração no meio envolvente, designadamente no sapal de Corroios;
  • Evidenciar a sua evolução construtiva;
  • Valorizar os princípios técnicos e tecnológicos utilizados;
  • Potenciar o trabalho e o saber-fazer do moleiro;
  • Valorizar o acervo do Ecomuseu Municipal do Seixal ligado à moagem tradicional;
  • Integrar este núcleo no circuito museológico industrial do concelho do Seixal.

Moinhos de Maré do Ocidente Europeu
O projecto "Moinhos de Maré do Ocidente Europeu: valorização do património cultural e natural enquanto recurso de desenvolvimento", coordenado pela Câmara Municipal do Seixal através do Ecomuseu Municipal do Seixal, decorreu entre Novembro de 2004 e Novembro de 2005, com o apoio do Programa Cultura 2000 da Comissão Europeia.
Visando estimular a partilha de informações e experiências, a promoção de boas práticas de conservação e restauro e a definição de estratégias de divulgação que permitam melhorar o acesso do público a estes elementos patrimoniais, iniciou-se com a participação de seis instituições: o Ecomuseu Municipal do Seixal, a Association Estuarium (França) e o Ecoparque de Trasmiera (Cantábria, Espanha) - instituições co-organizadoras - e ainda o Concello de Muros (Galiza, Espanha), a Mancomunidad de Islantilla (Andaluzia, Espanha) e o River Lea Tidal Mill Trust (Inglaterra, Reino Unido).

Contudo, o interesse suscitado ao longo do desenvolvimento do plano de trabalho traduziu-se na progressiva integração de outras instituições, o que constituiu uma mais-valia, tornando possível uma abordagem mais abrangente da temática, uma maior partilha de recursos, uma difusão mais eficaz do projecto e dos seus propósitos e, sobretudo, permitindo o desenvolvimento de contactos entre um amplo leque de instituições europeias devotadas a projectos de cariz idêntico e que, em muitos casos, nunca anteriormente haviam estabelecido relações entre si.
Entre as actividades concretizadas no âmbito do projecto, inclui-se o Encontro Internacional "Moinhos de Maré no Ocidente Europeu", que decorreu no Seixal em Janeiro de 2005. Com o objectivo de congregar instituições e investigadores envolvidos no estudo e recuperação deste tipo de estruturas, o evento permitiu não só o intercâmbio de experiências ao nível da recuperação, conservação e reabilitação de moinhos de maré na Europa ocidental, como contribuiu igualmente para a discussão de metodologias e para a apresentação de linhas de investigação actualmente em desenvolvimento em diversas instituições públicas e privadas que tutelam antigos edifícios moageiros localizados em diversos pontos do litoral atlântico europeu.
Posteriormente, foram editados um conjunto de postais, um conjunto de puzzles didácticos alusivos à temática e uma brochura sobre moinhos de maré existentes no espaço europeu, a qual disponibiliza informação (em quatro idiomas) relativa a treze estruturas deste tipo distribuídas por cinco países europeus, todas elas intervencionadas de forma a garantir a respectiva preservação, bem como a fruição pública dos espaços, assumindo-se actualmente como importantes recursos patrimoniais no seio das comunidades em que se integram. Estes materiais foram apresentados em cada uma das instituições participantes no projecto ao seu público, seguindo o modelo que lhes pareceu mais adequado.

No âmbito do projecto, foi ainda preparada uma exposição itinerante, também em 4 idiomas, disponível em dois conjuntos, cuja apresentação decorreu a 29 de Outubro no Moinho de Maré de Prat (La Vicomté-sur-Rance, Côtes d'Armor, França), a qual irá ser acolhida por diversas instituições europeias no decurso de 2006. Resultando da colaboração de mais de 20 instituições e investigadores devotados a projectos de investigação, conservação, reabilitação e divulgação de moinhos de maré existentes no espaço europeu, aborda aspectos relacionados com a difusão e implantação geográfica destas estruturas, as suas tipologias e modo de funcionamento, a diversidade de utilizações e a valorização patrimonial destes testemunhos.
A produção de um CD-Rom serviu de complemento aos demais materiais, pois permite integrar um amplo conjunto de informações e recursos. Foi apresentado por ocasião de um encontro organizado pelo município de Arnuero através do Ecoparque de Trasmiera e que teve lugar nos dias 4 e 5 de Novembro, na Cantábria. No âmbito deste encontro, foi anunciado que, além do CD-Rom, e aproveitando a sua estrutura e conteúdos, foi criado um website (www.moinhosdemare-europa.org), o qual integra uma secção de notícias actualizada pelo Ecomuseu Municipal do Seixal a partir do contributo das diferentes instituições. Desta forma, quer a itinerância da exposição, quer o contacto entre as várias entidades, quer ainda outras actividades cuja divulgação se julgue pertinente poderão ser difundidas para um público mais amplo

Acesso  Devido a obras de conservação e de requalificação, este núcleo encontra-se encerrado ao público desde 2000, estando prevista a sua reabertura em 2008
 Morada  Rua do Rouxinol - Corroios
Transportes  Autocarros e outras ligações
 
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