| A Extensão do Ecomuseu Municipal do Seixal (EMS) na antiga Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, localizada na proximidade deste núcleo urbano da freguesia de Corroios, visa a preservação e musealização de conjunto em vias de classificação como Imóvel de Interesse Público desde 2000, estatuto já atribuído por despacho de homologação datado de 2007.
O reconhecido valor patrimonial das instalações da Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços, e de toda a área onde se insere o centenário Circuito da Pólvora Negra da antiga Sociedade Africana de Pólvora, Lda. (SAP), em Corroios, integrando oficinas, paióis e equipamentos destinados à produção e transmissão de energia e à transformação das matérias-primas (desactivados em 2001), nortearam a sua preservação e o projecto de estudo, salvaguarda e valorização das antigas instalações fabris, promovido pelo EMS, com o envolvimento de Agência de Desenvolvimento Local, da qual faz parte a Câmara Municipal do Seixal (enquanto entidade comproprietária).
Ainda antes da desactivação da fábrica, entre 1998 e 2002, o EMS promoveu o levantamento e o inventário do património in situ e o levantamento oral junto dos proprietários, técnicos e operadores do circuito, complementado por pesquisas em curso e a desenvolver, com base tanto no espólio documental e arquivos da SAP (recolhidos nas instalações fabris de Vale de Milhaços e nos antigos escritórios da empresa em Lisboa), como junto de outros arquivos e fundos bibliográficos. A prossecução destas vertentes de trabalho e o envolvimento de antigos trabalhadores no projecto possibilitaram a comunicação e a divulgação do valor histórico e patrimonial do sítio industrial, bem como do seu enorme potencial, se devidamente valorizado.
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| Vista aérea do
circuito da pólvora negra |
Em 1894, Libânio Augusto de Oliveira obteve licença
para a fundação de uma fábrica de pólvora em Vale de Milhaços. Mas, quatro anos mais tarde, o seu proprietário
era a firma Francisco Carneiro &
Commandita que exportava a produção
para Angola, por intermédio do porto da Quinta do Rouxinol.
Nesse ano (1898), a fábrica transitou para a
Companhia Africana de Pólvora, SARL assim como
o arrendamento do porto do Rouxinol, mantendo-os na sua posse
até 1921, altura em que foi comprada por Francisco
Camelo e Armando Luís Rodrigues.
A venda da quota deste último a Francisco Camelo proporcionou
a constituição da Sociedade
Africana de Pólvora, Lda no ano seguinte, a qual
se manteve sob a gestão da família daquele industrial
até ao seu encerramento.
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| Edificio da máquina
a vapor e de refrigeração |
Volantes de transmissão |
Exposição
- antiga oficina de Carbonização
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A produção da energia mecânica de todo
o circuito da pólvora negra é devida à
máquina a vapor Joseph Farcot
de 125 cv de potência, instalada na fábrica
em 1900, para garantir o accionamento da maquinaria das oficinas envolvidas na produção
de pólvora negra, recorrendo a uma múltipla
conjugação de veios, volantes e cabos teledinâmicos
aéreos.
Constituem o circuito produtivo de pólvora negra as
oficinas de trituração, de encasque, de prensagem,
de granulação, de peneiração,
de lustração, de secagem, de pesagem e de embalagem.
Entre as oficinas recorria-se ao transporte de materiais por vagoneta,
que circulava sobre a linha férrea que percorria todo
o circuito de produção.
A partir de 2007, o EMS tem vindo a promover os necessários trabalhos de conservação, reabilitação e de manutenção de imóveis, de máquinas e de outros equipamentos industriais, o que possibilitou a abertura parcial do sítio ao público, contando para o efeito com a colaboração de antigos trabalhadores da fábrica e actuais colaboradores do museu.
Consulte também as publicações
disponíveis sobre a Fábrica de Pólvora
de Vale de Milhaços, nomeadamente os artigos inseridos
no boletim Ecomuseu Informação. |