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Ainda antes da desactivação da fábrica de pólvora da Sociedade Africana de Pólvora, em Vale de Milhaços, a Câmara Municipal do Seixal, reconhecendo a sua importância patrimonial, promoveu, através do Ecomuseu Municipal, a partir de 1997, o levantamento e registo funcional do circuito da pólvora negra.

Desse trabalho inicial resultou um projecto de valorização do circuito que teve a sua primeira concretização na musealização da antiga oficina de carbonização, depois de sujeita a obras de recuperação, a que se projecta dar continuidade numa parceria que envolve a Câmara e os proprietários respectivamente dos terrenos e dos equipamentos.

Toda a recolha de saber técnico tem sido efectuada com a colaboração de técnicos e de trabalhadores. Entre o trabalho desenvolvido até ao momento, conta-se a apresentação junto do IPPAR de uma proposta de classificação da SAP (1999), de que resultou a deliberação de abertura do respectivo processo, em 2000.

Em 2001, no âmbito do Programa de Qualificação e de Desenvolvimento do Ecomuseu, a Câmara Municipal do Seixal deliberou constituir uma extensão museológica com base no circuito da pólvora negra, a fim de o integrar na estrutura territorial do Ecomuseu, começando por musealizar e abrir ao público a antiga e já desactivada Oficina de Carbonização da fábrica, estando esta na iminência de total encerramento e em vias de suspender o alvará de produção de pólvora negra.

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Vista aérea do circuito da pólvora negra

A Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços instalou-se numa zona de matas e culturas agrícolas da actual freguesia de Corroios na última década do séc. XIX, tendo permanecido em laboração até 2001.
Em 1894, Libânio Augusto de Oliveira obteve licença para a fundação de uma fábrica de pólvora naquela localidade. Mas, quatro anos mais tarde, o seu proprietário era a firma Francisco Carneiro & Commandita que exportava a sua produção para Angola, por intermédio do porto do Rouxinol.
Nesse ano (1898), a fábrica transitou para a Companhia Africana de Pólvora, SARL assim como o arrendamento do porto do Rouxinol, mantendo-os na sua posse até 1921, altura em que foi comprada por Francisco Camelo e Armando Luís Rodrigues.
A venda da quota deste último a Francisco Camelo, proporcionou a constituição da Sociedade Africana de Pólvora, Lda no ano seguinte, que se manteve sob a gestão da família daquele industrial até ao seu encerramento.

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Edificio da máquina a vapor e de refrigeração Volantes de transmissão Exposição - antiga oficina de Carbonização

A produção da energia mecânica de todo o circuito da pólvora negra é devida à máquina a vapor Joseph Farcot de 125 cv de potência, instalada na fábrica em 1900.
Receptora do vapor produzido pela caldeira geradora de vapor, transformava-o na energia mecânica necessária ao accionamento da maquinaria das oficinas envolvidas na produção de pólvora negra, recorrendo a uma múltipla conjugação de veios, volantes e cabos teledinâmicos aéreos.
Constituem o circuito produtivo de pólvora negra as oficinas de trituração, de encasque, de prensagem, de granulação, de peneiração, de lustração, de secagem, de pesagem e de embalagem.
Entre as oficinas recorria-se ao transporte por vagoneta, que circulava sobre a linha férrea que percorria todo o circuito de produção.

Por enquanto este sítio industrial só é visitável através de acções específicas, podendo os interessados contactar para o efeito o Serviço Educativo do Ecomuseu Municipal.

Consulte também as publicações disponíveis sobre a Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, nomeadamente os artigos inseridos no Ecomuseu Informação.

Acesso  As visitas a esta extensão do Ecomuseu estão condicionadas, por motivo de trabalhos de recuperação e conservação
 Morada  Avenida da Fábrica da Pólvora - Vale de Milhaços - Corroios
Transportes  Autocarros e outras ligações
 
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